Com o som não é diferente. Se o silêncio extremo nos dá uma sensação de vazio, de solidão, o som alto pode causar diversos danos. uma vez ou outra saem reportagens na imprensa destacando essa situação. Desta vez, o jornal A Gazeta de 24 de Setembro de 2006 destacou o assunto.
Vamos à reportagem:
"Cuidado: o barulho pode causar dependência - Altos decibéis causam a liberação de certas substâncias no nosso corpo.
A vida moderna trouxe uma série de comodidades, com equipamentos que refrescam o ambiente, trazem informações novas num piscar dos olhos e alimentam a alma com música em qualquer lugar. Mas o conforto tem o seu preço e, por isso, o homem pós-moderno tem sofrido com os efeitos do barulho em excesso.
Presentes em todos os lugares, incluindo na nossa casa, os decibéis de aparelhos de TV, de som e de uma série de eletrodomésticos, além do ruído da rua, podem causar dependência e trazer como consequência uma série de males, incluindo, além da perda auditiva, distúrbios do sono, problemas mentais e emocionais(...).
A constatação de que o barulho vicia partiu de cientistas mineiros. Eles descobriram, recentemente, que assim como o chocolate e os exercícios físicos, os ruídos podem causar dependência física em algumas pessoas. A explicação, neste caso, está no facto de os altos decibéis causarem a liberação de determinadas substâncias no nosso organismo.
A descoberta (...) demonstrou que ruídos acima de 55 decibéis, o nível de uma conversa normal, por exemplo, aumentam a produção do neurotransmissor noradrenalina, responsável por uma espécie de regulador das emoções.
Já a partir de 80 decibéis, tem início a liberação de endorfina, um analgésico natural que suprime a dor e a punição que a pessoa sofre, sendo, dessa forma, condicionante de comportamentos.
No grupo dos dependentes, os que gostam de música em alto e bom som são os mais suscetíveis. Esse é o caso do jovem (...) de 15 anos. "Gosto do som alto porque dá uma sensação boa", diz ele, que aprecia vários estilos, em altos decibéis (...). O jovem não consegue ficar livre das músicas, seja na balada, seja em casa.
O consultor (...) da área de acústica (...) diz que, com os altos volumes, o corpo prepara-se para a defesa e há descarga de substâncias que causam excitação. "A pessoa sente excitação ou também pode ficar irritada, mas ninguém fica passivo diante de sons muito altos", explicou.
Os Jovens encaixam-se no perfil dos "viciados" - Ouvir música no MP3 durante os estudos virou moda entre os adolescentes.
O jovem (...) de 17 anos já esteve no consultório do otorrinolaringologista, especialista na saúde do ouvido e garganta. O motivo: apesar da pouca idade, já começou a sentir os efeitos da poluição sonora e começou a apresentar dificuldades na audição.
O vilão que tem afectado a saúde auditiva do jovem virou epidemia entre os adolescentes: os aparelhos de MP3, versão moderna dos antigos walkmans. "Quando me sento no fundo da sala, sinto dificuldades em ouvir o professor", explicou o jovem.
Apesar disso, as recomendações médicas não têm sido levadas a sério pelo rapaz. "eu gosto de ouvir música muito alto, não tem jeito. Eu sei que tinha que parar, mas gosto mesmo de barulho".
Já os amigos (....) de 17 anos, que se preparam para o vestibular, ouvem música no MP3 enquanto fazem os exercícios. Segundo eles, uma música de fundo aumenta a concentração. "O som da música anula os outros sons do ambiente e, assim, é possível concentrar-se mais". (...) "Em casa, coloco som alto para descansar, Ajuda a relaxar". (...) O jovem pode encaixar-se no perfil de pessoas que, segundo os pesquisadores, acabam viciadas em barulho.
Ruído social pode causar perda auditiva - Sons de bares, de restaurantes e da televisão não deixam o ouvido descansar.
Além dos barulhos a que estamos expostos durante o tempo de trabalho, os pesquisadores alertam para o perigo do ruído social, conceito usado para definir os sons que nos afectam em casa ou na rua.
(...) testes mostraram que os sons de bares, restaurantes e até mesmo o da televisão, quando ultrapassam os 70 decibéis, em 24 horas, tornam as pessoas susceptíveis a perdas auditivas. "O grande problema do ruído social é que ele não deixa o ouvido descansar", explicou.
Em caso do barulho fora do horário de trabalho, os cidadãos contam com a actuação do Disque-Silêncio, que realiza medições dos decibéis.
(...) as fontes de ruído, sejam residências ou comércios, são notificadas a respeitar a lei do silêncio. Em caso de reincidência, são emitidas multas que podem chegar a até 15 mil euros.Conforme a lei, em área residencial é permitido emissões de até 55 decibéis durante o dia, e de 50 decibéis depois das 18 horas”.
(Autor: Fernando A. B. Pinheiro)
Bibliografia:
Informação retirada do site: http://www.somaovivo.mus.br/artigos.php?id=77
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